25 HORAS DE INTERLAGOS - 1973

Em 1973, o automobilismo brasileiro se encontrava em franca expansão. Com a economia em alta (eram os anos do “milagre brasileiro”), e com a proibição de importação de carros de corrida, criou-se o ambiente adequado para a volta das corridas de longa duração com carros “made in Brazil”. Assim implementaram-se as corridas de Divisão 1, com carros de passeio quase sem preparo.

Só se permitira a retirada de pára-choques, de calotas, colocação de rodas de magnésio no máximo 1,5 polegadas maiores do que as originais, colocação de pneus radiais e equipamentos de segurança (santoantônio, etc).

A primeira dessas provas, as 25 Horas de Interlagos, acabou se tornando épica, por uma série de razões:

Primeiro, foi a estréia do Ford Maverick V-8 nas pistas brasileiras, iniciando uma rivalidade com o Chevrolet Opala que até hoje perdura, embora ambos os modelos não sejam produzidos há muitos anos.

Também estrearam nas competições, nessa prova, o VW Brasília, o Dodge 1800 e o Chevette. Contou com a participação de muitos pilotos de primeira, inclusive alguns que já estavam afastados das pistas. Também foi a despedida do grande Chico Landi das competições. E foi uma boa corrida.

Antônio Carlos Avallone foi o idealizador da 25 Horas, prova patrocinada pela Souza Cruz (chamou-se, oficialmente, de Taça Souza Cruz) que contou com 70 inscritos. Foram realizadas provas de classificação, visando garantir a participação de todas as classes. No final, o Opala 4.1/3.8 foi o carro mais representado: 14, contra 5 Maverick, 3 Dodge Charger(Dart), 3 FNM 2150, 2 Opala 2.5, três Dodge 1800, 6 Chevette, 7 Corcel, 7 VW 1500, 2 Brasília e 4 VW 1600.

Esperava-se que todos os carros de passeio produzidos no Brasil pudessem participar desta nova categoria. Assim, essencialmente criaram-se classes cujo óbvio propósito era enquadrar carros que raramente eram usados nas competições brasileiras, por exemplo, o Ford Corcel e o Dodge Charger. Embora a divisão 3 fosse dividida em três classes (A, B e C), a 25 Horas de Interlagos de 1973 tinha cinco categorias: a E (acima de 5 litros, de lambuja para o Dodge Charger); D (de 3 a 5 litros, protagonizada pelo Maverick e pelo Opala 4,1 ou 3,8); C (de 2 a 3 litros, para o FNM 2150 e Opala 2,5); B (de 1,6 a 2 litros, para o Dodge 1800) e a A (até 1,6 litro, para o Corcel, Fusca, Brasília, Chevette). A ordem de largada seria feita na ordem das categorias: ou seja, os Dodjões largariam na frente de qualquer maneira, seguidos dos Opala e Maverick, etc. etc.



Quanto a pilotos, muitas novidades. Primeiro, em vez de duplas, os carros seriam pilotados por trios (salvo duas exceções). Um Corcel da equipe de Greco era pilotado por três jornalistas especializados: Fernando Calmon, Mathias Petrich e Luís Carlos Secco.

Chico Landi faria a sua última corrida, aos 63 anos, dividindo um Maverick com seu filho, Luís, e com Antônio Castro Prado.

Estava presente a equipe Hollywood, com um Maverick, pilotado por Luiz Pereira Bueno, Alex Dias Ribeiro e Tite Catapani. Jayme Silva correria com o Dodge Charger que sairia na pole com seu ex-companheiro José Francisco Martins (Toco), da época da Simca, e outro veterano, Roberto dal Pont.

Greco voltava às competições brasileiras, com outra fera: Bird Clemente, que dividia seu carro com o irmão Nilson e a fera da Fórmula Ford, Clóvis de Moraes (os Clemente haviam ganho a última prova de 24 Horas no Brasil, em Interlagos, 1970, com um Opala).

O melhor Opala, desde o princípio da corrida, era o laranja da equipe Brahma, que deveria ser pilotado por José Carlos Ramos, Bob Sharp e Jan Balder.

E bons pilotos de basicamente todas as categorias do futuro, presente e passado do automobilismo brasileiro estavam presentes: José Pedro Chateaubriand, Pedro Muffato, Vital Machado, Edson Graczyk, Pedro Victor de Lamare, Ugo Galina, Mário Pati Jr, Mário Ferraris, Ingo Hoffmann, Marivaldo Fernandes, Totó Porto, Afonso Giaffone, José “Coelho” Romano, Edson Yoshikuma, Mário Olivetti, Josá Maria “Giu” Ferrareira, Newton Pereira, José Lotfi, Luís Evandro Águia, Edgar Mello Filho, Roberto di Loreto.

Três Dodge partiram na frente, mas claramente não agüentariam o ritmo dos Maverick e Opala por muito tempo: Jayme Silva, o mais rápido dos Dodjões, marcou 3m58,547 s, e o melhor Maverick, de Chico Landi, marcou 3m54,309 s, ao passo que o melhor Opala, de Edson Yoshikuma, cravou 3m57,038 s. Jayme conseguiu sair na frente, mas logo foi superado pelos Maverick e Opala.

Estes levavam a vantagem numérica, e de ser reabastecidos a cada 29 voltas, ao passo que os Maverick precisavam entrar nos boxes a cada 20. Desde cedo ficou claro que a briga ficaria entre o Maverick número 20 da Dropgal Ford, dos irmãos Clemente e Clóvis de Moraes, e o Opala no. 7 da Brahma, de Jan Balder e Bob Sharp (que acabaram correndo sozinhos por decisão de José Carlos Ramos, que não quis prejudicar atuação do carro por ser pouco experiente).


Quando o dia amanheceu, o Opala ainda liderava, mas uma desastrada troca de pneus praticamente garantiu a vitória aos pupilos de Greco. No final, o Maverick ganhou do Opala por somente 45 segundos de diferença, após 25 horas de corrida.

Ficou patente, entretanto, a superioridade dos Maverick: apesar da vantagem numérica do Chevrolet, só o Opala da Brahma figurava entre os cinco primeiros. O único Maverick fora das primeiras colocações foi o do fraco trio Di Camilo/Naja/Costa, que chegou em 13°.

Esta performance iniciou a briga que marcaria as corridas de longa duração nos próximos anos, causando uma forte debandada para o Maverick

Para a Chevrolet restou o prazer de bater os FNM na fraca classe C, ganha por Raul Natividade/Estanislau Franco e José Ferreira, e de ganhar a concorrida classe A, com um Chevette pilotado por Newton Alves/Amaury Mesquita e Antônio Ramos, que, completando 335 voltas, bateu o segundo colocado na classe (um Brasília) pela pequena margem de 1 volta. A tentativa de enquadrar a Chrysler na festa foi infrutífera: nenhum dos Dodges Charger da classe E, nem os Dodge 1800 da classe B, conseguiram terminar a corrida, que contou com 34 classificados (56 carros largaram).

Foram realizadas diversas outras provas de longa duração naquele ano, embora não houvesse um campeonato organizado, estabelecendo-se desde então a vantagem da equipe de Greco (que no próximo ano se tornaria a Mercantil/Finasa Motorcraft. A 500 Km de Interlagos e a Mil Milhas (esta aberta para carros de Divisão 3) também foram ganhas pelos Irmãos Clemente, sem o auxílio de Clóvis de Moraes.


CLASSIFICAÇÃO - 10 PRIMEIROS LUGARES - 25HS DE INTERLAGOS 1973

Tempo dos vencedores: 25 horas, média de 117,808 km/h

Pos. Pilotos Carro/Classe Voltas Largada
Bird Clemente/Nilson Clemente/Clóvis de Moraes Maverick/ D 370 20
Jan Balder/Bob Sharp Opala/D 370 7
Chico Landi/Luis Landi/Antônio Castro Prado Maverick/D 363 4
Marivaldo Fernandes/Affonso Giaffone/Totó Porto Maverick/D 361 5
Luiz Pereira Bueno/Tite Catapani/Alex Dias Ribeiro Maverick/D 355 8
Edson Graczyk/Celso Frare/Oswaldo Carpes Opala/D 354 15
Fábio Crespi/José Maria “Giu”/Aurelino Machado Opala/D 353 10
Edson Yoshikuma/Miguel Yoshikuma/Fausto Dabbur Opala/D 353 6
José Pedro Chateaubriand/Luverci/Antenor Canha Opala/D 350 16
10° Luis Della Penna/Antônio Carlos Tarla/Newton Pereira Opala/D 350 51


Matéria escrita por: CARLOS DE PAULA

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